historinha

(...)

buscando anotações de além-mar, estava lá:
"re-existir é a única alternativa possível, a mais viável e divertida,
aqui e agora,
nesse mundo e não na idéia de um outro mundo
nos espaços não mapeados,
povoar a dimensão fractal in-controlável da realidade
ser nômade
estética e táticamente
desaparecer"

uma historinha:

quando começamos a engendrar a rádio xiado, queríamos atacar os monopólios.
nosso primeiro programa coletivo começava com a trilha do plantão globo - tantantantantaaaan "isso é um ataque! isso é um ataque! tiros de metralhadora, bombas de chocolate..."
naquela noite, transmitimos de um prédio ali na cardoso de almeida, em 90.1fm. alguns nos ouviram do Centro Acadêmico Benevides Paixão, outros da Prainha... estávamos re-existindo, não apenas negando, mas essencialmente afirmando aquela voz! alguém atendeu às nossas incitações e uma bomba foi detonada na puc! BOOM! encerramos a transmissão festivamente!
a xiado se propunha ao caos! pregava uma "contaminação virótica em plena pasmaceira da idade mídia". em todas as coisas enxergávamos o rizoma, mesmo em sua invisibilidade! nosso ativismo era midiático, era artístico, era (des)necessário.
nossos ídolos eram piratas, palhaços, sedutores, dançarinos, contrabandistas, índios.
nossos inimigos eram os chupins, os trotskistas, os estudantes engajados, o papa.
como era difícil estar no ar! puuuuta merda! ainda é!
aos poucos os monopólios foram se tornando as velhas corocas da nossa história!
é claro que, do fuuuuundo do coração, adoraríamos detornar essas velhas!
ruir a roupa do rei de roma!

mas por que se dedicar a enfrentar um poder?

a história continuou...

re-existir,
às vezes é possível, às vezes inevitável, às vezes imperceptível, às vezes individual, às vezes em vão, muitas vezes somente através dos vãos!
então, seguimos com nossas utopias piratas!
criando épicos, espalhando lendas, inventando genealogias!
inventar!
a invenção é a única prática livre!
é o lance de dados!

os chupins querem associar nossos movimentos furtivos (e criativos) com o discurso da velha esquerda!
mas é absolutamente diverso!
a velha esquerda não aprecia a tecnologia, entre outras diferenças...
eles tentam nos enquadrar, nos capturar, nos categorizar, nos ridicularizar!

mas ridículos são eles respondendo voluntariamente às pesquisas de marketing na fila do supermercado!
somos radiantes!
forjamos o X da questão!
xxxxxxxxxxxxxxx